terça-feira, 18 de maio de 2010

ROÇA DA SABRINA E CALABAR

DE VILA PEREIRA À VILA CATHARINO
Mas nem tudo são flores no maior jardim da cidade, o Jardim do Chame-Chame. Ao seu lado direito, sentido Barra-Centro da Cidade, começam duas grandes favelas de Salvador: a Roça da Sabrina e o Calabar.

A origem do nome Sabrina surgiu em razão da existência no seu atual espaço de uma roça de bananas pertencente a uma senhora chamada Sabrina. Daí “Roça da Sabrina”.

Já Calabar se origina da cidade de Calabar na Nigéria, tendo sido a primeira capital daquele país.
Chame-Chame e as favelas da Sabrina e Calabar
A favelação de Salvador tomou impulso incontrolável na década de 1950. Em 1953, por exemplo, aconteceu a chamada “invasão dos alagados “ em Itapagipe com a tomada de grande parte da Enseada dos Tanheiros pelas palafitas. Esta foi no mar e os poderes públicos nada fizeram para impedi-la ou limita-la. Era como se fosse uma força irresistível.
Em terra foram se sucecendo outras onde houvesse um terreno supostamente abandonado e disponível. E também ninguém fez nada! Mas qual foi a razão dessa favelação que tomou conta da cidade, ao ponto de Salvador possuir hoje mais favela do que áreas residenciais normais, na falta de um melhor termo? Fala-se que a grande razão foi o crescimento populacional. Mas que crescimento? O ordenado ou o desordenado? O ordenado é aquele baseado na taxa de crescimento vegetativo normal da população a cada ano. Por este, Salvador não poderia ter hoje quase três milhões de habitantes, a partir de uma base de 400.000 habitantes na década de 1950. Seria um recorde de procriação!

O desordenado é aquele que soma o crescimento vegetativo normal com a emigração de gente de outras localidades. Foi o que aconteceu! Atraídos pelas “vantagens” da cidade grande, centenas de milhares de pessoas oriundas do recôncavo e de outras cidades, vieram para Salvador. Suas terras não lhes ofereciam a menor chance de progresso e até mesmo de sobrevivência, em alguns casos. Salvador era a esperança e a seguridade. E esse pessoal quando chega a um ponto de abandonar a sua terra, seus familiares, seu passado, vem com tudo, mas sem nada a oferecer de recursos tidos humanos e materiais. Vêm “sem lenço, nem documento” como diz a letra de famosa música.

O primeiro impacto com a nova realidade, após a sede e a fome, é a moradia. Aquelas eram resolvidas com a mendicância. Esta foi solucionada pelas invasões de terremos baldios e do mar, como aconteceu em Itapagipe. E os poderes públicos nada puderam fazer. Só conhecemos uma reação que se notabilizou na época quando ACM em cima de um trator derrubou uma dezena de casebres que se instalou na orla de Ondina. No mais, os poderes constituídos foram impotentes para conter a avalanche humana em busca de um lugar para morar.

Outro aspécto que se pode ainda salientar nessa “invasão” desordenada, acontecida nos meados do século passado, foi a procura por locais mais nobres, de preferência próximo ao mar. É o caso das invasões que há pouco falávamos da Roça da Sabrina e do Calabar, mas se poderia citar uma dezenas delas em outros bairros praianos, principalmente Itapoan. Ninguém tentou fazer suas casas no quilômetro 20 da Salvador-Feira onde havia terreno à bessa e ninguém sabia de quem era.
Em termos socio-econômicos as favelas são um grande problema. Não há pagamento de impostos prediais, de água e de luz, o que significa dizer que, em vez da cidade enriquecer com a imigração de tanta gente, ela emprobece per-capita.
E há uma solução para esse grande problema que atinge a nossa cidade e tantas outras do país?. Deve haver! O primeiro passo rumo a uma equação favorável é reconhecer a irreversalidade das favelas. Elas estão aí para sempre, fazendo parte do panorama das cidades brasileiras, desde que o problema não é somente nosso. No Rio e em São Paulo a situação é caótica.

Posta assim a questão da irreversalidade, cabe ao Poder Público “transformar” a favela em algo aceitável, físicamente e socialmente. Tem sido feito alguma coisa. Agora mesmo, no Rio de Janeiro, começa um plano de ocupação das favelas pelas forças policiais de cima para baixo, visando acabar com o tráfico de drogas e a criminalidade. Também estão sendo limitadas as atuais favelas dos morros cariocas com a construção de muros nos seus limites, evitando a expansão. O exemplo partiu da Colombia onde foram feitas modificações estruturais nas suas favelas com até a instalação de periféricos entre um morro e outro.

Essas transformações no país vizinho refletiu no social das comunidades de forma até surpreendente. Mais estudantes nas ruas, mais transparência, mais confiança e nesse quadro estão surgindo novas oportunidades de trabalho num novo comércio que aos poucos vai se instalando no local: são mercadinhos, clínicas, farmácias e até agencias bancárias, todas dando preferência aos moradores locais, por força de lei.
Salvador é uma cidade rodeada de um maciço rochoso que a contorna de vários lados. Ondina, Morro do Gato, do Ipiranga, Alto das Pombas, Brotas, Federação, Santo Antônio, Barbalho, Liberdade, Lobato, Plataforma, Paripe, etc., tudo enfim está no alto. A gente passa em certos lugares e vê as casinhas como que despencando pelos morros, mais parece um presépio à noite. Porquê não pintá-las? Nas Ilhas Gregas todas são caiadas de brancas e são uma atração turística. Mais o branco é muito branco já dizia o outro. Então que se pinte de diversas cores, A Prefeitura daria o passo inicial e quem viesse a construir novos barracos, teria que pintá-los ou de branco caiado ou com alguma cor, menos deixar em tijolo exposto, o que é um descaso. O cara constrói um quase prédio de três andares com laje e tudo e não tem dinheiro para rebocar e pintar a parte externa? É inacentável!

Como ficaria a Roça da Sabrina
Mas isto é mascarar uma realidade! Sem dúvida que, isolamente, o é. Foi feito na encosta do Unhão, junto ao museu que alí existe. Os casebres foram todos pintados e melhorada a sua estrutura. Ficou lindo o conjunto! Junto a esse caiamento geral ou pintura, seriam feitas obras de sustentação de encostas, asfaltamento, postos médicos, postos policiais bem lá em cima com vistas a dominar a situação de todo o morro como está se fazendo no Rio e se fez na Colombia.
. É duro lutar de baixo para cima como se está vendo nas favelas cariocas. Os bandidos em situação privilegiada são uma força quase imbatível, em razão de sua situção estratégica Os pobres dos policiais cariocas já devem estar sofrente de torcicolo e não tem como vencê-los desse jeito. A posição de combate bandido-policial carioca precisa ser invertida.

Finalizando, a título de curiosidade e até de espanto, a primeira favela brasileira nasceu há mais de 100 anos com o aparecimento do Morro da Favela no Rio de Janeiro. No local se instalaram casas provisórias que foram entregues aos soldados que regressaram ao Rio após a Guerra dos Canundos em 1897.

Praticamente, foi um começo oficial, isto é, iniciativa do próprio governo. O povo deu a devida sequência.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

CHAME-CHAME

DE VILA PEREIRA À VILA CATHARINO
As naus que chegavam a Salvador antes mesmo de Tomé de Souza, aportavam na antiga Vila Pereira, hoje Porto da Barra. Nesse local desembarcavam mercadorias e gente vindas de Portugal, França e Inglaterra. Também recebiam nesse mesmo local víveres, principalmente água, para poder continuar viagem, seja em retorno às terras de origem, como em direção às Indias, prosseguindo viagem.

O apoio logístico, se é que podemos dizer assim ao se falar daqueles tempos, era dado pelos índios comandados por Diogo Álvares Correia, o Caramuru, estrategicamente sediados nos recantos do alto da Graça e Vitória.

E o porquê da localização estratégica? Pura e simplesmente porque a Vila da Graça que hoje chamamos de Vila Catharino, localizava-se justamente entre o “Porto” e a Cidade de Salvador que se construia ao nordeste.

Não existia outro ponto que as naus pudessem chegar.

Pois bem! As mercadorias e os víveres dados e recebidos, caminhavam possivelmente pelas trilhas onde está hoje a Av. Princesa Izabel, menos íngreme e que dava justamente na Vila da Graça.

Nas proximidades, um pouco mais ao sul, estava o hoje Vale do Chame-Chame com rio e tudo, onde, certamente, os índios pescavam e tinham a água necessária para si e quem mais quisesse, no caso específico, o pessoal das naus européias.

Rio do Vale do Chame-Chame
No alto, quase ao centro, o Alto da Graça, a Vila Catharino.

Claro que a foto não é daquele tempo, mas se pode formar uma idéia de como era a coisa, o espaço na área, o acesso, as proximidades, de onde para onde, a importância de um rio nesse local, etc. etc.

Visto isto, caminhando no tempo, chegamos ao Chame –Chame dos tempos atuais. Não ainda o Chame-Chame de hoje, talvez o maior jardim da Salvador moderna, mas já um chame bem arborizado por volta de 2006/2007.






E até pintado por Henrique Passos


O antigo rio – Virou um canal

A Bacia Hidrográfica que atinge toda a Centenário chama-se Bacia do Lucaia.

O Rio Lucaia é um braço do Rio Camurujepe a partir do Iguatemi. Recebe água de corregos de Brotas e vai desaguar no Largo da Mariquita no Rio Vermelho. Já o Rio Camurigipe do qual resulta o Lucaia, nasce na Boa Vista de São Caetano e chega a ter 20 metros de largura próximo ao Iguatemi.

Rio Camurugipe


Bacia Hidográfica de Salvador

A Bacia Hidrográfica que atinge toda a Centenário chama-se Bacia do Lucaia.

Hoje a Centenário se transformou num belíssimo jardim. O prefeito João Henrique fez uma obra extraordinária. Nós que moramos em frente a esta avenida, sabemos muito bem de seus problemas, principalmente nos dias de chuva. Se já era bela e as fotos comprovam isto, tornou-se ainda mais formosa. Obra igual a esta só vimos ser executada no Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro. Não era nada e hoje é o maior jardim do mundo. A nova Avenida Centenário é o maior jardim de Salvador!

Não se trata aqui de propaganda política de quem quer que seja. Apenas registramos uma verdade. Os interesses políticos escondem ou procuram desmerecer obras como esta. É o mesmo caso do Baia Azul ou Bahia Azul. Livrou a Cidade Baixa e Alta de seus milhares de esgotos em suas praias. Pouco gente se refere a isto. Mas são obras estruturais de extrema importância para a cidade.


A NOVA CENTENÁRIO
Desfilamos a seguir uma série de fotos que nem a de cima, mostrando como ficou o Chame-Chame - Avenida Centenário:

















UM GRANDE BAIRRO


















domingo, 16 de maio de 2010

ESTRUTURA DAS RUAS DA BARRA

DE VILA PEREIRA À VILA CATHARINO
Marquês de Caravelas foi político, advogado, diplomata e professor. Nasceu em 4 de março de 1768 e faleceu em 8 de setembro de 1836. Seu nome completo era José Joaquim Carneiro de Campos. Era filho de José Carneiro de Campos e D. Custódia Maria do Sacramento. Estudou no Mosteiro de São Bento e se formou em advogado pela Universidade de Coimbra. Foi deputado geral, ministro da Justiça, ministro dos Estrangeiros e senador entre os anos de 1826 e 1836. Primeiramente foi Visconde e depois Marquês. Foi um dos redatores da Constituição Imperial que assinou em 1823. Ocupou importantes cargos no Império entre os quais o de membro da Regência Provisória que governou o país de 7 de abril a 17 de junho de 1831.

Esse é o ilustre que dá nome à rua que se segue após a Rua Barão de Itapoan onde se encontrava a ex- Associação Atlética da Bahia e agora se levanta um novo clube. Rigorosamente, a Rua Marquês de Caravelas, começa na esquina da Rua Professor Lemos de Brito que dá no morro do Gavazza, isto é, após o ex-clube. Até aí seria Rua Cezar Zama, segundo as placas da Prefeitura.
Conseqüentemente, o ex-clube está ou sempre esteve com o endereço errado, (Rua Barão de Itapoan, 218), desde que se encontra em plena Rua Cezar Zama.

Mapa da região
Após essa irrelevante observação postal, a Marquês de Caravelas é a rua mais comercial de toda a Barra. Todos os bancos, todas as farmácias, supermercado e até shopping, estão lá. Aliás, ela, mais a Rua Afonso Celso e a Avenida Marques de Leão, formam o centro nervoso dessa área da Barra.
Os primeiros prédios de apartamentos

Esses foram os primeiros prédios de apartamentos que se construíram na Marquês de Caravelas. Há de se notar o gabarito dos mesmos – três andares. Na época não era permitido ultrapassar a altura do morro que lhe fica atrás, o Morro do Gavazza. Hoje, já se vê prédios mais altos que o morro. Como conseguiram?


Prédios de 10 andares
Percorridos alguns metros da Av, Marquês de Caravelas, à direita, existe duas outras entradas para o Morro do Gavazza, além daquela existente junto à Associação Atlética da Bahia. A Rua Greenfeld e a Rua do Palmeira.

Na esquina da Rua do Palmeira se acha os restos do antigo Clube Palmeira da Barra, como era conhecido.

A escadaria que lhe dá acesso é singular e sempre foi assim. A sua pequena encosta também o é. Nunca vimos nenhum beneficiamento da mesma, uma graminha por exemplo. Sempre foi muito árida. É o tipo do local inibido por qualquer razão.

O Palmeira foi tudo na vida. Clube inicialmente, onde até se fazia bailes de carnaval; academia de capoeira e até escola, a Escola José Americano da Costa.
Palmeiras da Barra

A falta de iniciativa de melhoria desse espaço ou uma nova construção são singulares. Deve haver uma razão restritiva. Talvez em tendo sido construído sobre a encosta do Morro do Gavazza, não possa receber melhoras.
A Avenida Marquês de Caravelas termina na avenida da praia. Antes faz esquina com a Rua Afonso Celso e Rua Marques de Leão.

Como estamos vendo quem é quem que vem dando nome às ruas de nosso percurso, diga-se de passagem que Afonso Celso é mais um nome que não tem nada a haver com a Bahia.

Em verdade, não queremos que todos os nomes de ruas de Salvador sejam de pessoas com alguma coisa ligada à nossa terra, mas não custaria nada que o tivesse. No caso de nosso amigo, era mineiro e formou-se advogado em São Paulo em 1880. Viveu até 1938 tendo sido professor, poeta, historiador e político. Seu nome completo era Afonso Celso de Assis Figueredo Júnior.

Quando à Marques de Leão, ele foi um Almirante com grandes serviços prestados à sua corporação e ao Brasil.
No caso específico, ele tem haver com a Barra, pois a avenida com seu nome começa onde se encontra a Cabana dos Oficiais da Marinha no Largo do Farol ou Praça Alm. Tamandaré, segundo a própria Marinha tudo bem próximo do mar, do farol, etc..

Morro do Gavazza

Residências da Marinha no Gavazza

Marquês de Caravelas com Afonso Celso à direita. Estamos desembolcando no Largo do Farol, como já se disse; à esquerda faz esquina com Rua Miguel Burnier e cerca de 300 metros adiante, começa à Avenida Centenário. Essa parte já é considerada Chame-Chame.







sábado, 15 de maio de 2010

ASSOCIAÇÃO ATLÉTICA DA BAHIA

DE VILA PEREIRA À VILA CATHARINO
Dizíamos na postagem anterior que enquanto a Associação Atlética Banco do Brasil vendeu sua sede ao então Paes Mendonça S/A, capitalizando-se e fazendo um novo clube lá para os lados da orla, a Associação Atlética da Bahia procurou se manter na Rua Barão de Itapoã, apesar de não mais contar com o pagamento de milhares de associados que deixaram de freqüentar o clube pelas razões que se conhece, ou seja, novas opções de lazer, bem como daqueles outros que só mantinham o pagamento em dia, por causa das festas do antigo Carnaval de Clubes.

A antiga sede
Como conseqüência dessa insistência, a mesma exercida pelo Centro Espanhol e Clube Português, o clube foi acumulando uma dívida impagável em todas as estâncias.
Não deu outra. Teve que ser “vendido” a uma incorporadora – ARC Engenharia – que está fazendo no local um novo clube.

Na fase de construção

A nova sede

É inegável a diferença arquitetônica, mas (tem sempre um porem): será que todo aquele patrimônio constituído pela própria sede e dependências secundárias, quatro piscinas, uma delas olímpica, campo de futebol, quadra coberta para jogos de salão, não sei quantas quadras de tênis, será ou estará bem substituído?


Nova piscina de 25 metros



Quadra de tênis coberta

Esta é a pergunta que a maioria dos associados está se fazendo ou fazendo outras ou emitindo opiniões sempre ligadas ao mesmo assunto. Vejamos algumas delas:

"Queremos que as áreas de esporte sejam mantidas”.

“Não queremos nenhuma obra faraônica que não esteja de acordo com a história e a característica da A.A.B”.

“Será que a definição sobre a nova AAB deve ficar nas mãos de um pequeno grupo?”

“Qual o motivo em definir o novo espaço sem a participação dos sócios?”

“Temo que a AAB se transforme num grande shopping”.

“A história da nossa A.A.B é toda ligada ao esporte. Não consigo imaginar esse espaço cheio de cinemas, restaurantes e lojas de roupas e sapatos. O Clube tem que cultivar suas áreas esportivas e, pelo visto, o novo projeto coloca tudo isto em segundo plano”.

“Aonde vou jogar meu futebol de fim de semana?”

(Todas captadas na internet)

Na internet também o presidente do clube enfatiza:

"Tentamos buscar outras soluções em reuniões feitas com os sócios durante um ano, mas não achamos nenhuma outra opção. A venda foi decidida pela maioria, em assembléia geral, onde estiveram presentes os sócios, membros da diretoria e do conselho”, assinalou o presidente. Segundo ele, o espaço vendido já não estava sendo utilizado pelos sócios e funcionava como estacionamento. Não entendo o porquê desses questionamentos, afinal muitos sócios sequer aparecem no clube”, declarou.

Brito afirmou que a AAB tem apenas 160 sócios pagantes e recolhe por mês o equivalente a R$12 mil. Ainda segundo o presidente, 3.728 são associados remidos, que ajudaram a construir o clube, mas não contribuem com a mensalidade mensal. “O nosso quadro social pagante não consegue manter o clube. De que adianta termos uma enorme estrutura sem qualidade para oferecer ao nosso público?”, questionou o presidente, afirmando que o novo projeto é mais moderno e capaz de manter viva a Associação Atlética da Bahia. (CA).

Outra questão que se levanta é a eliminação de milhares de sócios que não pagaram suas “mensalidades” há mais de um ano. Alegam os mesmos que, estando o clube fechado, não poderia o mesmo cobrar mensalidade, desde que não havia o uso. Nesse sentido, sabe-se que inúmeras ações estão sendo impetradas na justiça.
Mas, mesmo quando o clube tinha condições de ser "usado", esses mesmo sócios não pagavam e uma questão se levanta de relação aos chamados "sócios remidos". O estatuto do clube diz, claramente, que todos eles tinham que pagar uma taxa mensal de contribuição e, no entretanto, convencionou-se que, mediante a posse do título, ninguém mais pagaria um centavo.
É aquela velha história que se repete. Precisando vender de qualquer forma, omitiu-se uma obrigação estatutária que comprometeria o clube pelos próximos anos. Três ou quatro mil pessoas frequentando o clube e ninguém pagando mais nada. Não tem quem suporte. Foi o que aconteceu. Veio a debacle total!
Consultando outros associados, alguns acham que não teve outro jeito. Contribuiu para esta decisão a nova lei de responsabilidade fiscal, que responsabiliza diretamente a pessoa do presidente do clube inclusive seus bens, no caso de uma bancarrota. Quem haveria de bancar esta responsabilidade?"
Talvez sabedor dessa nova responsabilidade, o Presidente não têve outro jeito e partiu para vender o clube. A questão era: ou vendia ou perdia. Devia milhões à Prefeitura. Essa mesma Prefeitura já estava tomando a séde do Clube Português. O próximo seria a Associação.
Há, entretanto, quem opine que, esta responsabilidade poderia ser resolvida com a simples renúncia do presidente. Saía de baixo, como se diz popularmente. Mas não o fez. Preferiu permanecer no cargo e assumir a decisão histórica de quebrar toda uma tradição de mais de 100 anos. Realmente, um homem de coragem e sério, há de se reconhecer.
Talvez tenha pecado em não ter formado uma comissão de avaliação, constituida por sócios engenheiros, advogados, auditores, e quem mais fosse necessário.
Esta comissão avaliaria todos os detalhes da compra e venda, seus aspéctos materiais e jurídicos, e daria seu parecer. Seria uma decisão mais pensada, diferentemente daquela tomada com base em uma simples dissertação feita em momento de aflição onde as mentes estavam acuadas.
Ao que fomos informados, nem maquete do projeto foi apresentada na reunião da Assembléia Geral, como é de praxe proceder-se em momentos tais.

Na falta dessas providências, em verdade, ninguém sabe realmente como vai ficar a situação dos antigos sócios, tanto aqueles que continuaram pagando, quanto os que deixaram de pagar ou mesmo daqueles que se convenciou que não pagariam nunca mais. Coisa boa não será! Nem para os sócios, nem para os novos moradores. Se for verdadeiro que os sócios “terão direito” a freqüentar as dependências do grande condomínio e se misturar com os proprietários dos apartamentos, alguém vai se constranger. São dois grupos com fins cultarais-socio-econômicos diferentes, absolutamente díspares. Não deve dar certo! Os moradores terão seu instrumento de convenção do condomínio homologado em assembléia do mesmo. E os associados da ex-Associação Atlética da Bahia, os sócios remidos de quem tanto reclamam por que não pagam, mas já pagaram alto numa determinada época, por onde se orientarão se o estatuto do clube estaria obsoleto? Ou não? Dizem que está tudo valendo. É difícil acreditar! A verdade é que existe toda uma nova situação em qualquer aspecto considerado. E a nova Assembléia Geral que deve ser constituída? A maioria poderá ser de condôminos. Como eles agirão? Percebe-se desde já a situação.

Para finalizar esse assunto que não nos convence em qualquer das vertentes, mandamos um recado para o nosso amigo (ex) associado que ficou sem o seu campinho para as peladas de sábados e domingos: esqueça! Isso não lhe pertence mais!

RUAS INTERNAS DO PORTO DA BARRA


DE VILA PEREIRA À VILA CATHARINO


Estamos de novo no Porto da Barra, mais precisamente nas suas ruas internas – Ruas Cezar Zama e Barão de Sergy. Sempre tivemos curiosidade de saber quem eram essas duas pessoas. Quem não tem? A gente passa quase todos os dias por elas, citamo-nas em nossas correspondências e outras referências e não sabemos quem foram as personalidades que deram nomes a essas ruas.


Cezar Zama era baiano de Caitité, nascido em 19/11/1837, falecido em 20/10/1906. Foi médico, deputado e escritor. O sobrenome Zama vem do seu pai que era italiano e chamava-se Cesare Zama de Faenza, casado com D. Rita de Souza Spínola Soriano que fazia seu segundo casamento. Era riquíssima e são seus descendentes diversas expoentes da sociedade baiana como sendo Anísio Teixeira e Aristides Spinola. O cantor Waldick Soriano também descende desse tronco.


Arestides Cezar Spínola Zama, este seu nome completo, foi um deputado dos mais combativos, inclusive em favor da abolição. Certa feita, na Câmara, desafiado pelo deputado Valadares, que era escravocrata, respondeu à seguinte acusação:


Valadares: “Vossa Excelência é médico, então fala com a jurisprudência da medicina.”

Cezar Zama: “Não. Falo com a jurisprudência do Cristo, que pregava serem todos os homens iguais e tem no escravo seu semelhante”

Por fim, um dos seus ditos irrefutáveis: “Deus fez-nos racional e pensante; exercemos um direito inerente à nossa natureza. Só os vermes toleram ser calçados aos pés sem protestarem”.






Dr. Cezar Zama


E o barão de Sergy? Quem era? Era santamarense da gema e foi senhor de engenho naqueles lados.



Mansão datada de 1804- Em Santo Amaro



Nesta enorme mansão bem na praça principal da cidade de Santo Amaro da Purificação, ao lado da igreja, nasceu o nosso Barão de Sergy. Como já se disse, ele foi senhor de engenho daqueles lados. Aliás, diga-se de passagem que, a maioria dos “senhores de engenho” era tida como “barão”. Era só comprar uma mansão e homem ganhava o título. Se a corte não o desse o povo dava ou ele próprio se dava.


Afinal de contas, “barão é barão”.






Toda essa parte interna do Porto da Barra obedece aos parâmetros de gabarito da parte da frente, isto é, da Avenida 7 de Setembro, à medida que ela chega ali no Porto. A maioria dos imóveis é baixa com, no máximo, três andares, de modo que, passam pelo mesmo drama de desvalorização dos existentes em frente à praia.


Conseqüentemente, em sua maioria, estão em processo de deterioração, desde que, raramente há um beneficiamento em um deles. Por outro lado, não se pode achar que, de certa maneira, isto foi bom na conservação de traços arquitetônicos antigos, desde que na grande maioria eles não são antigos e isto se explica dessa forma: essa área era puro “mato” como já comentamos em postagem anterior. Existia a parte que dava para a praia e os casarões ali existentes tinham o fundo voltado para a atual Rua Barão de Sergy com seus quintais e pomares. Possivelmente até sítios ou pequenas fazendas. As terras dos Clementes chegavam até aqui.


Como curiosidade, nesse miolo, entre a Rua Cezar Zama e Barão de Sergy, funcionou durante algum tempo o Cinema Barra. Ninguém soube informar ao certo sua localização. O certo é que os cinemas de bairros foram, até a década de 1950, a grande diversão dos baianos de todas as idades. Ainda não existia a televisão nem os shoppings. O cinema era o grande programa dos domingos à tarde. Competia com o futebol!


Pesquisamos no local onde deveria ter sido o Cinema da Barra. Alguém achava que teria sido nesse prédio:

Teria sido aqui?

Bem ao meio da Rua Barão de Sergy, abre-se uma pequena praça com um grande nome: Praça Patriarca da Independência do Brasil, nada mais nada menos que José Bonifácio de Andrade e Silva. Para compensar, seus moradores chamam-na simplesmente de Largo dos Tamarindeiros pela existência de três dessas árvores no local.


Largo dos Tamarindeiros


Essa área da barra está repleta de pousadas, pequenos hotéis, restaurantes, bares, casas de chá e mais o que se pensar. Também as peixarias!



Esta é uma das pousadas em prédio de rara beleza. Esquina da Sergy com Cezar Zama.



Pequenos e bons restaurantes


Famosa casa de chá!



Vila Campos (sem saída)

Barão de Sergy com as duas saídas



A saída à direita da Rua Barão de Sergy vai dar no Largo do Porto e, daí em frente, na Ladeira da Barra que já percorremos. À esquerda, faz esquina com a Rua Barão de Itapoan que, por sua vez emenda com a Marquês de Caravelas e vamos nós em direção à Avenida Centenário no Chame-Chame. Lado contrário é a saída para a praia.



A esquina da Barão de Sergi e Barão de Itapoan vê-se excepcional imóvel onde funciona mais uma pousada das muitas existentes na Barra.



Em frente a esse casarão funciona um supermercado. Nesse local funcionava a Associação Atlética Banco do Brasil. Na primeira investida que a rede Paes Mendonça lhe fez para compra do imóvel, os bancários o venderam e se mandaram para a praia. Fizeram a coisa na medida certa. Afinal de contas, tinham a cabeça no lugar e sabiam fazer contas. Enquanto isto, o vizinho, a Associação Atlética da Bahia fez o que fez, isto é, fez de contas!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

DE VILA PEREIRA À VILA CATHARINO

CAMINHOS DA ANTIGA VILA VELHA - HOJE AV. PRINCESA IZABEL

Caminhos da Vila Velha

Por todo o tempo das postagens desse blog, logo após o título principal, inserimos a frase “DE VILA PEREIRA Á VILA CATHARINO”. Há uma explicação na primeira postagem sobre a razão da mesma. Dizíamos, na oportunidade, que, tínhamos resolvido denominar esse trabalho de “Circuito Barra – De Vila Pereira a Vila Catharino” numa alusão ao início de Salvador na Barra até Vila Catharino no presente e na Graça, lembrando o passado.

Talvez não tenha ficado bem clara a referida alusão. É o que nos pareceu posteriormente. Gostaríamos de esclarecer que Vila Pereira foi a primeira vila que se construiu em Salvador. Tem esse nome em alusão ao primeiro donatário da Capitania da Bahia, Francisco Pereira Coutinho.

Era uma enseada com condições naturais para a aproximação de embarcações. Nela desembarcou o próprio Francisco Pereira Coutinho em 1535 e o fundador de Salvador, Tomé de Souza em 1549. Anteriormente, todas as naus que faziam comércio com os nativos comandados por Diogo Álvares, o Caramuru, ali aportavam.

E por onde alcançavam a cidade situada ao nordeste? Pelo chamado Caminho da Vila Velha.
Atual Ladeira da Barra? Nem pensar. Tinha um paredão à frente. Por outro lado, era muito íngreme.

Então, por onde? Certamente pela hoje Av. Princesa Izabel que dava na Graça, na posterior Villa Catharino, reduto familiar de Caramuru. Daí seguia pelo hoje Corredor da Vitória, Campo Grande, Rosário, até alcançar as Portas de Santa Catarina – atual Praça Castro Alves.

Pois bem, esse trabalho está alcançando justamente a Avenida Princesa Izabel, lá em cima, esquina com Rua Princesa Leopoldina. É uma rua de descida, justamente em direção a então Vila Pereira, hoje, o nosso famoso Porto da Barra.

Há de se reparar na Avenida Princesa Izabel a inexistência de grandes residências ou reminiscências, como se viu na Rua da Graça e na Avenida Princesa Leopoldina. O progresso da cidade se deu no sentido inverso. Inicialmente para os lados do Carmo, Santo Antônio, Lapinha. Muito posteriormente, abriram-se as Portas de Santa Catarina e lentamente a cidade foi chegando para os lados da Graça, caminhando pelas vias tortuosas da hoje Av. 7 de setembro, aberta por J.J. Seabra, alcançando o Corredor da Vitória, Canela e finalmente a nossa Graça.

Aqui, na hoje Princesa Izabel permanecia vegetação original da terra, o mato por onde se caminhava em trilhas que só Caramuru e seus indígenas conheciam, por interesses estratégicos dos mais importantes. Nas proximidades, o hoje Morro dos Clementes que devia se estender por toda essa região, colaborava para tornar ainda mais escondidos os caminhos misteriosos de Caramuru.

CLUBE BAIANO DE TÊNIS

DE VILA PEREIRA À VILA CATHARINO

Em frente ao Hospital Português acha-se ou achava-se o Clube Baiano de Tênis. É que a sua sede localizada na esquina da Rua Leopoldina com a Rua Princesa Izabel foi demolida e no local se construiu uma das lojas da Perini. Agora, o clube restringe suas atividades apenas na baixada da Barra Avenida.


Campo de futebol com grama sintética

Uma boa estrutura

O Clube Baiano de Tênis foi um dos maiores clubes sociais de Salvador. Praticamente, toda a sociedade era sócia do mesmo. Famosos eram seus “réveillons” e as "Segundas Feiras" do Carnaval. Foi o apogeu! Era o sustentáculo financeiro do clube, desde que seus sócios mantinham a mensalidade para poder participar das duas festas. Enquanto isto, o carnaval de rua foi crescendo, os hotéis foram surgindo e cada um com seu próprio réveillon e gritos e feijoadas de carnaval. As grandes residências também passaram a dar suas festas particulares. Desenvolvia-se o Litoral Norte com seus grandes condomínios e resorts e as festas do Baiano foram ficando para trás. Passou a não justificar o pagamento das mensalidades.

Há quem diga que os clubes “abusaram” muitos dos chamados sócios beneméritos, mediante venda de ações para execução de obras de melhoramento. Esses sócios deixaram de pagar e eram justamente os mais assíduos ao clube. Foram beneméritos naquele momento. Depois, tornaram-se um peso para o clube. Verdade que não é bem assim. Na hora da necessidade, eles foram procurados! E ai aconteceu a debandada geral dos que “pensavam” no réveillon e Carnaval e contribuíam mensalmente. Surgiram novas e atraentes opções.

Muitos acham que, quando isso passou a ocorrer, os dirigentes desses clubes deveriam ter vendido suas sedes, todas em áreas privilegiadíssimas e criado novos espaços com novas atrações e novas fontes de rendas. Mais ou menos, o que está fazendo hoje o próprio Baiano de Tênis. Como fez a Associação Atlética da Bahia e estará fazendo o Centro Espanhol. O exemplo estava ali ao lado. As grandes mansões estavam sendo vendidas na Princesa Leopoldina, na Rua da Graça e no Corredor da Vitória. Não seria o Baiano que haveria de resistir, como não resistiu, e a demora o fez passar por grandes dificuldades financeiras, até que a Perini entrou firme com uma proposta irrecusável diante da situação do clube. Ocupou 4.300 m2, mas ainda assim resta quase a mesma metragem ou mais na baixada da Barra Avenida ou Baixada da Graça, segundo outros. Nesse espaço, dizem, vai subir uma torre de 52 andares e o clube irá ficar com as lojas que estão projetadas na parte mais baixa do espigão.

Portanto, fica claro que o clube não acabou. Ele continua muito bonito no vale da Rua 8 de dezembro com uma excelente estrutura, ginásio coberto, piscina, campo de futebol com grama sintética, muitas quadras de tênis, sala de musculação, secretaria, bares, etc.. É preciso fazer mais coisas e certamente, com os rendimentos já auferidos com o arrendamento da Perini e o aluguel das lojas que virão em determinado tempo, haverão de surgir novos e melhores equipamentos de um clube sócio-esportivo. Festa, nem pensar. Já não lhe pertence! Uma nova piscina, isto pode!

Além do social, o Baiano era uma potência esportiva. Foi bi-campeão baiano de futebol entre 1927 e 1928. Quando o departamento de futebol do clube terminou, seus jogadores e dirigentes, juntos com os da Associação Atlética da Bahia, fundaram o Esporte Clube Bahia em 1931. No basquete foi campeão dezenas de vezes. Formou grandes atletas dessa modalidade, inclusive exportando para o sul do País. No vôlei também se constituía numa força, tanto no masculino como no feminino. No tênis, foi um celeiro de grandes tenistas. Participou também de campeonatos de tênis de mesa e futebol de salão. Era um clube eclético! Merece sobreviver!